Quando acabou o filme “Melancolia”, ficou olhando a tela do
computador por um tempo.
Lembrou-se, depois, da furadeira que o vizinho de baixo fez
funcionar o dia todo. Teve que sair de casa para se ver livre do barulho que
parecia estar furando seu cérebro.
Mas a luz do dia a cegava, o brilho da
claridade inundava de cores seus olhos, quando apenas precisava do tom esmaecido de
um diazinho de chuva, ou então o ruço cobertor que descia das montanhas e a
envolvia escondendo o excesso.
No almoço, por distração, colocara muita pimenta baiana na
omelete. Foi quase como morrer queimada. A ardência que sentiu: insana.
Parecia que os extremos agudos do mundo entravam nela pelos poros, mexendo por dentro das células, indo até os átomos,
estremecendo sua estrutura vulnerável, porque aberta.
A atriz entendia, na sua solidão absoluta, as complexidades
do mundo. Sabia da realidade antes da ocorrência; sentia por antecipação, o que os outros sentiriam em seguida. Achava impossível qualquer tipo de
comunicação. Os diálogos do filme foram essenciais, pois deram forma às
imagens, ensinando o caminho das pedras ao espectador – mesmo tendo a parte
inicial como um libreto – da mesma forma que o da ópera – revelador.
As palavras, como sempre, pontuam a vida, encaminham-na, fazem
a ligação entre o ser e o mundo. Podemos pensar que elas permanecem nos livros quando
morremos, pois duram um pouco mais. Apenas um pouco mais.
Pois quando tudo
acaba, o que resta?
As palavras eternizam as emoções,e os sentimentos!!! Vlw. bj
ResponderExcluirCertamente. Mas ao apagar das luzes total, do mundo tal como o conhecemos, não resta mais nada, nem sentimentos, nem emoções, nem nada. Infelizmente!
ResponderExcluirBeijo, minha linda.
Barulho, pimenta, sensações incômodas como as provocadas por "Melancolia". Boas associações, Monique.
ResponderExcluirTambém gostei do filme. As atrizes estão impecáveis. Senti-me no fim do mundo, saí com dor de cabeça. Palavras infelizes do diretor em Cannes fizeram com que o filme fosse visto com má vontade pela crítica, acredito.
Lendo o texto, me lembrei do seu bordão (palavras...): "Morreu, cabô." ;)
Oi Moniquita, gostei do texto, mas gostaria de ter lido o livro pra eu entender melhor :)
ResponderExcluirBeijo e bom domingo.
Mary querida,
ResponderExcluirFoi o filme mais impactante que já vi, e por isso o melhor. Um livro, um filme, uma poesia, são bons quando mexem com você, e te acrescentam algo mais. Esse filme a gente não vai esquecer, não é? Já vi a segunda vez, verei muitas mais.
É, e morreu...cabô mermo!
Um beijo saudoso dos nossos papos,
Monique
Neuzica Linda da minha vida,
ResponderExcluirObrigada por deixar seu comentário, que aliás concordo com ele. Sem vermos o filme ou lermos o livro fica difícil entender o texto. Quando estivermos juntas, levarei uma cópia para você, visse? Vamos ver juntas, comendo pipoca, ok?
Venha me visitar, estou muito sozinha!
Monique, aos beijos!
Eta melancolia! Xô tristeza! Estou contornando bueiros para não entrar na fossa. Logo, preciso passar longe desse filme. Na sexta feira, vi O Garoto da Bicicleta e quase me atirei debaixo de um ônibus na saída.
ResponderExcluirEstou brincando o texto é bom e gostei muito. Bjs. Celso Gomes.
Oi, querido!
ResponderExcluirO filme não é depressivo, apenas ele te abre possibilidades para você pensar na sua vida, e ver o que realmente faz diferença. Não é filme para abrir um berreiro, e sim para pensar. Reflexivo. Inteligente, belíssimo.
Quando ao Garoto da Bicicleta, achei o final xôxo! É um filme correto, não tem pieguice e isto é bom. Mas Melancolia é um filme para ficar, como um dos melhores.
Mil beijos, obrigada pelo comentário!
Monique